Comitê Macrorregional COVID-19 do Triângulo Norte define encaminhamentos

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O Comitê Macrorregional COVID-19 do Triângulo Norte foi oficialmente instituído nesta terça-feira, 14 de abril, por meio de videoconferência. O objetivo é acompanhar de forma mais organizada e sistemática a evolução do quadro epidemiológico nos 27 municípios que compõem as Unidades Regionais de Saúde de Uberlândia e Ituiutaba, além de adotar e fixar medidas e respostas específicas, necessárias à prevenção, controle do contágio e tratamento das pessoas afetadas.

Com caráter propositivo, o Comitê é multidisciplinar e multisetorial, sendo composto pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), representada pela Superintendência e Gerência Regional de Saúde, Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS-MG) Regional, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Órgãos e entidades públicas e privadas do Triângulo Norte participam como convidados, a exemplo, Ministério Público e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Triângulo Norte.

O coordenador da sala da situação da SRS Uberlândia, Alisson Maciel de Faria Marques, apresentou o panorama regional, as discussões e proposições que impactam na assistência e a consolidação de quatro consultas que serão encaminhadas para o COES-Minas. “A equipe fez um estudo das semanas epidemiológicas e os dados mostram que as notificações e internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão aumentando. Apesar do número de internações ser maior nas pessoas acima de 60 anos e crianças, o quantitativo é expressivo em jovens e adultos jovens. E mais, 70% dos pacientes são internados em instituições públicas e filantrópicas que prestam serviços para ao Sistema Único de Saúde e o tempo de permanência nos leitos está sendo maior”, pontuou o coordenador.

Isolamento Social

Seguindo as normas técnicas da SES/MG, as Unidades Regionais de Saúde de Ituiutaba e Uberlândia enviaram, antes do feriado, ofício circular aos municípios reforçando a necessidade de manter medidas de isolamento e distanciamento social como sendo a estratégia mais eficaz para o “achatamento” da curva de transmissão e consequentemente menor sobrecarga ao setor da saúde.

O gerente regional de saúde de Ituiutaba reforçou que o isolamento social é fundamental para evitar o crescimento exponencial da pandemia e o relaxamento das medidas pode comprometer a rede de saúde e acarretar inclusive penalidades. “O Ministério Público Federal emitiu nota alertando sobre a questão da flexibilização da quarentena, pois o sistema de saúde público não pode ficar sobrecarregado, podendo os gestores incorreram em improbidade administrativa”, afirmou Rafael Mendes Ferreira da Luz.

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Atualização dos sistemas oficiais e plano de contingência

A Vigilância Epidemiológica e a Assistência trabalham em conjunto para nortear a tomada de decisões a partir de dados que retratem o verdadeiro cenário. Assim, o COSEMS tem um papel importantíssimo para que os sistemas oficiais de informação possam ser alimentados e atualizados pelas instituições de saúde em tempo real. “Ainda precisamos de ajustes com relação à definição de caso suspeito e diferenciação de síndrome gripal e SRAG. Vemos divergência na divulgação dos boletins municipais na região, e precisamos uniformizar as informações”, observou o secretário de saúde de Araguari e presidente do COSEMS Regional de Uberlândia, Guilherme Afonso Martins.

O boletim epidemiológico estadual de hoje apresenta que a região tem quase 3,5 mil casos suspeitos de coronavírus, 76 casos confirmados e cinco óbitos, sendo quatro em Uberlândia e um em Patrocínio. Há circulação do vírus e todos os municípios precisam estar organizados para conter o avanço dos casos. “Na próxima reunião vamos apresentar o Plano de Contingência Macrorregional, e as Secretarias Municipais de Saúde devem elaborar os seus próprios planos que precisam estar em sintonia com a realidade da região na qual está inserido”, colocou o superintendente regional de saúde de Uberlândia, Marcelo José Pires Ferreira.

Equipamentos e insumos

Os COSEMS Regionais de Ituiutaba e Uberlândia relataram a dificuldade para comprar equipamentos de proteção individual (EPIs), testes rápidos que sejam confiáveis e mesmo equipamentos para a estruturação de leitos clínicos. “Não acha material no mercado e as empresas que conseguimos encontrar para negociar exigem parte do pagamento antecipado para entregar os materiais. Muitas vezes olhamos apenas para o nosso município e tentamos buscar soluções próprias, inclusive usando máscaras de TNT (tecido não tecido) caseira, sem mesmo saber da real eficácia de proteção”, externou Geraldo Xavier Rocha Júnior, secretário de saúde de Santa Vitória e presidente do COSEMS Regional de Ituiutaba.
O promotor de Justiça de Defesa da Saúde de Uberlândia, Lúcio Flávio de Faria e Silva, destacou que os gestores municipais devem procurar a articulação com o Ministério Público para efetivar as compras emergenciais. “Estamos num momento especial, em que a oferta é pequena e a procura é muita. A questão de compra deve ser comunicada à promotoria do patrimônio público para que futuramente seja evitado questionamentos e os municípios consigam comprar os kits”.

A expectativa é que o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e o Hospital e Maternidade Municipal Doutor Odelmo Leão Carneiro, ambas em Uberlândia recebam ainda nesta semana, 714.038 EPIs doadas pela SES/MG, sendo máscaras descartáveis tripla face, máscaras N95, aventais descartáveis, luvas de látex e toucas.

Funerais

Uma das pautas de discussão estava relacionada ao sepultamento dos óbitos suspeitos de COVID-19 e alinhamento do fluxo com as funerárias para que evitem maiores desgastes às famílias enlutadas. “Infelizmente estamos tendo mortes suspeitas da doença e devemos nos preocupar com todos os detalhes, desde a coleta do material, preenchimento da declaração de óbito até o fechamento da cova”, explicou a referência em Vigilância em Saúde da SRS Uberlândia, Rosana Gervásio.

Os COSEMS Regionais de Ituiutaba e Uberlândia ficaram de repassar para que todos os municípios criem as normas locais observando a questão do plantão do cemitério, padronização com o serviço de Controle de Infecção do Município (CCIH) quanto ao velório e a possibilidade de sepultamento acontecer no período noturno.

Autor: Lilian Cunha

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