A doença de Chagas traz consigo o caráter de acometer populações negligenciadas economicamente e com pouco acesso aos serviços de saúde, sendo o Brasil um dos principais países endêmicos. Segundo dados da Fiocruz, estima-se que haja atualmente no país pelo menos um milhão de pessoas com a doença, que é a infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e representa uma condição crônica reconhecida formalmente há mais de um século. Por tratar-se de doença que vem demonstrando novas perspectivas nas formas de transmissão e de apresentação clínica, são de notificação compulsória e imediata todos os casos suspeitos e confirmados de doença de Chagas aguda, isolados ou agrupados, ocorridos por qualquer forma provável de transmissão. Já os casos crônicos devem ser notificados somente aqueles confirmados.
Diante deste quadro, a Regional de Saúde de Itabira, através dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica e de Vigilância em Saúde, realizou no dia 22 de junho, última quinta-feira, uma reunião técnica sobre o e-SUS Notifica – Doença de Chagas Crônica (DCC)-, com o objetivo alinhar e orientar os municípios que compõe a GRS Itabira a utilizar as funcionalidades do sistema e-SUS Notifica. A reunião foi direcionada às referências técnicas em vigilância epidemiológica, vigilância em saúde e zoonoses.
De acordo o coordenador de Vigilância em Saúde da GRS Itabira, Marcelo Barbosa Motta, que conduziu os trabalhos, o e-SUS Notifica – Doença de Chagas Crônica – é um novo sistema que o Ministério da Saúde (MS) está implementando, a partir de 2023, mas reiterou que os municípios continuarão digitando a fase aguda da doença no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan-Net) e apenas a fase crônica no novo sistema.
“O objetivo é facilitar a identificação de pessoas que têm doença de Chagas há muitos anos (crônica). As notificações da DCC devem ser realizadas pelos profissionais de saúde no formulário de notificação ‘Chagas crônica’ disponível no e-SUS Notifica, com acesso em tempo real às notificações registradas. As referências técnicas municipais terão acesso ao sistema e-SUS Notifica através da senha no portal ‘gov.br’ do governo federal”, resumiu Marcelo.
Durante a reunião técnica, Marcelo Barbosa Motta, reforçou aos presentes que a doença de Chagas é potencialmente fatal, é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, e que é transmitida aos seres humanos por insetos conhecidos como barbeiros, transfusão de sangue ou transplante de órgãos; consumo de alimentos contaminados ou durante a gravidez e o parto (mais raramente).
“O diagnóstico na fase aguda da doença de Chagas se faz por exames parasitológicos, em que se busca visualizar no microscópio o parasita no sangue da pessoa com suspeita de infecção. Muitas vezes a fase aguda não é diagnosticada porque a pessoa ainda não tem sintomas ou por falta de conhecimento dos profissionais de saúde sobre a doença. Já o diagnóstico na fase crônica também se faz por meio de exame de sangue. Busca-se em exames sorológicos a presença de anticorpos que o organismo gerou contra o parasita”, pontuou Marcelo.
“Diante de tudo que foi apresentado e discutido durante a reunião, podemos afirmar que foi um grande avanço a inserção da fase crônica (DCC) como notificação compulsória nacionalmente (Portaria nº 1.061 de 18 de maio de 2020), visto que, anteriormente, somente a fase aguda estava incluída na Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória e Imediata”, finalizou Marcelo.
Doença de Chagas Crônica (DCC)
A doença de Chagas apresenta uma fase aguda (Doença de Chagas Aguda – DCA), que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada (assintomática), cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva.
Conforme estimativa de que 60% das pessoas com infecção por T. cruzi permanecem na forma indeterminada e de que 30% e 10% evoluirão para forma cardíaca e digestiva, respectivamente, existiriam em 2020 no Brasil, na população acima de 25 anos, considerando as projeções das estimativas de prevalência de infecção pelo T. cruzi:
• 819.351 pessoas na forma indeterminada;
• 409.676 pessoas na forma cardíaca;
• 136.559 pessoas na forma digestiva.
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, inquérito de base domiciliar realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou cerca de 660 mil pessoas no Brasil com diagnóstico de doença de Chagas alguma vez na vida.
Portanto, demonstra-se a importância de esforços para articulação das ações de vigilância em saúde, com envolvimento multissetorial, principalmente no eixo da participação efetiva da rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS).
Fonte: Guia para notificação de doença de Chagas crônica (DCC) em e-SUS Notifica – versão 3.00.00
Autor: Flávio A. R. Samuel