Regional de Ponte Nova lança boletim epidemiológico da sífilis

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Visando divulgar informações referentes ao atual cenário da sífilis na área de abrangência da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova, o Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) elaborou o Boletim Epidemiológico da Sífilis – Panorama 2022. 

Consolidado pela referência técnica em Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), Priscila Câmara de Moura, o informativo destaca que, segundo a Organização Mundial de Saúde (2019), mais de 1 milhão de pessoas contraem  ISTs todos os dias, figurando como um problema de saúde pública.  Dentre elas, a sífilis, doença bacteriana de caráter sistêmico, crônica, exclusiva do ser humano e que, se não tratada adequadamente, pode evoluir para formas graves e atingir diversos órgãos do corpo.

De acordo com o informativo, a sífilis pode ser classificada nos seguintes estágios: primária, secundária, terciária e latente (recente, até um ano após a exposição, e tardia, com mais de um ano de evolução). “A principal via de transmissão da sífilis é por contato sexual e pela via vertical. Neste último caso, a taxa de transmissão para o bebê pode chegar a 80%, podendo provocar prematuridade, manifestações congênitas precoces ou tardias, abortamento e até mesmo a morte do recém-nascido”, aponta Priscila Moura. 

 

A referência técnica destacou que, no estabelecimento de ações prioritárias, a OMS definiu como meta a eliminação da sífilis congênita até 2030. “Apesar do baixo custo da terapêutica da sífilis, o tratamento às gestantes continua como um desafio a ser vencido, apontando para falhas do pré-natal que precisam ser revistas e superadas”, alerta. 

O boletim informa que, nos 30 municípios da SRS Ponte Nova, foram 256 casos notificados de sífilis em gestantes entre 2018 e 2022. No mesmo período, foram registrados 84 casos de sífilis congênita e 851 casos de sífilis adquirida. “Em todos os anos, podemos observar um aumento nas notificações, à exceção do ano de 2020, provavelmente devido ao impacto da pandemia de covid-19”, observa. 

Priscila Moura também pontua que alguns municípios do território estão silenciosos, ou seja, sem registro de notificação, alertando para a possibilidade de subnotificação ou perda de oportunidade de diagnóstico. “Isso dificulta a realização de ações de prevenção e controle. Precisamos avançar na qualificação dos registros para fortalecer a vigilância, de forma a embasar as ações em saúde realizadas. Os profissionais devem ser encorajados a praticar a vigilância em seu território para mudar a realidade local”, opina.

No que se refere à sífilis adquirida, o boletim revela que, na área da SRS Ponte Nova, a infecção é predominante na população masculina, havendo um maior acometimento nas faixas etárias de 20 a 39 anos e 40 a 49 anos. Sobre a escolaridade, é possível observar um número expressivo de casos em que esse campo foi ignorado ou em branco. “Um dos objetivos da notificação dos casos é fornecer um panorama da doença/agravo que pode ser utilizado para a formulação de políticas públicas e estratégias para uma população específica. Dessa forma, chamamos a atenção para a necessidade de qualificação dos bancos de dados com o correto preenchimento dos campos das fichas de notificação”, frisa a referência técnica.

 

Cenário

O boletim traz, também, informações relacionadas à benzilpenicilina benzatina, medicamento indicado para tratar a sífilis, de baixo custo e disponível na rede Sistema Único de Saúde (SUS), sendo, no caso das gestantes, a única opção com eficácia comprovada para tratamento do feto por atravessar a barreira transplacentária. Outro dado importante tem a ver com o percentual de gestantes tratadas concomitantemente com o parceiro: 47% sim e 40% não. “Ao ofertar o diagnóstico e o tratamento adequado à parceria sexual, é possível interromper a cadeia de transmissão e evitar reinfecção da gestante e, consequentemente, a sífilis congênita”, ressalta.

Quanto ao momento de diagnóstico materno, observa-se que a maioria dos casos foi diagnosticada no pré-natal. Porém, aproximadamente 15% dos casos foram diagnosticados no momento do parto/curetagem e 8% após o parto. Ressalta-se a recomendação da testagem rápida no primeiro e terceiro trimestre de gestação, possibilitando o tratamento precoce e a prevenção da transmissão vertical. Sobre a evolução dos casos, Priscila Moura relata que a maior parte das crianças contaminadas permanece viva, equivalente a 94%. “É importante salientar que, quanto mais cedo a gestante for diagnosticada e tratada, maiores são as chances de desfechos favoráveis às crianças, visto que as taxas de transmissão intrauterina no Brasil são de até 80%”.  

Para a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) da SRS Ponte Nova, Thiany Silva Oliveira, é imprescindível que os gestores e profissionais de saúde discutam, planejem e executem estratégias eficazes. “Muitos profissionais podem, ainda não estar preparados para diagnosticar a doença. Assim, é muito importante que sejam capacitados e alertados quanto ao aumento do número de casos e os métodos para prevenção, com destaque para os testes rápidos, além do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno”, arremata. 

Para acessar o conteúdo completo do Boletim Informativo está disponível aqui

Autor: Tarsis Murad

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