Terminou na última quinta-feira, 31/03, o ciclo de oficinas do Saúde em Rede na Macrorregião Oeste. Iniciado em maio de 2020, foram 26 tutores em formação de 13 municípios das Microrregiões de Divinópolis, Lagoa da Prata Santo Antônio do Monte envolvidos mais o Centro Estadual de Atendimento Especializado (CEAE) de Santo Antônio do Monte que participaram dos oito encontros conduzidos pelas analistas do projeto da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis, Cecília Godoi, Eduarda Xavier e Lídia Almeida.
No oitavo ciclo, os tutores municipais discutiram o acolhimento das gestantes nas Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), principalmente no que se refere a saúde bucal delas e que tipo de ações educativas devem ser elaboradas para este público.
Os aspectos do perfil epidemiológico da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e do Diabetes Mellitus (DM) no Brasil também estava na pauta deste último encontro, quando puderam pensar os aspectos relacionados à organização do cuidado ofertado na UAPS aos usuários de HAS e de DM.
Tanto nos estudos de acolhimento de gestantes como de doenças crônicas, os tutores municipais tiveram como eixo a integração e compartilhamento dos serviços das UAPS com o Atendimento Ambulatorial Especializado (AAE) ofertado pelo CEAE de Santo Antônio do Monte para que o paciente tenha um encaminhamento oportuno e uma melhor assistência dentro do território.
A analista da Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis, Lídia Almeida, destaca que o impacto assistencial esperado com a implantação do Projeto “Saúde em Rede” é que a população tenha o atendimento com foco em suas necessidades, respeitando a singularidade do território. Além disso, como a analista explica, o modelo de assistência deve ser baseado em diretrizes clínicas, de acordo com o Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC) e valorizar, dessa forma, os saberes da população e os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A participação no projeto nos proporcionou resgatar o papel da APS como ordenadora da Rede de Atenção à Saúde, entendendo-a como ponto fundamental para a mudança do modelo de atenção à saúde necessário para o alcance dos objetivos de um SUS equânime e universal, organizado por meio dos seus macro e microprocessos e consequentemente para a melhoria do cuidado compartilhado e também dos indicadores de saúde”, reforçou Lídia.
O coordenador da Atenção Primária à Saúde do município de Carmo do Cajuru, João Marcos Alves, destaca que mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia de covid-19, as oficinas de replicação no município ocorreram de forma muito organizada e cuidadosa. Segundo o coordenador, a gestão e os profissionais da unidade laboratório, a UAPS Vitória, acolheram o projeto e as oficinas. Agora, juntamente com a enfermeira e tutora, Gabriela dos Santos, a expectativa do coordenador é levar as oficinas para as outras unidades do município para proporcionar a melhoria do atendimento prestado ao usuário do serviço de saúde.
“O apoio dado tanto pela gestão quanto pelos profissionais que abraçaram o projeto viabilizou para que todos esses processos acontecessem, sempre acreditando nas melhorias. O Saúde em Rede despertou o quão importante é o papel da Atenção Primária em Saúde (APS) como ordenadora do cuidado. Com todos os benefícios assistenciais, o projeto contribuiu de forma significativa também para melhoria dos processos de trabalho e gerenciais para promover saúde mais eficaz, de mais qualidade e com menor custo, destacou o coordenador”.
Para a coordenadora da Atenção Primária do município de Cláudio, Cleonice Ferreira Rabelo, o apoio da gestão e dos profissionais envolvidos também foram fundamentais para a realização das oficinas. Conduzidas pela coordenadora e também pela tutora, Isabela Flávia dos Santos, a replicação do conteúdo ocorreu na unidade Laboratório da Equipe de Saúde da Família Dr Lincoln Barbosa.
Na unidade, os profissionais repensaram a organização dos processos de trabalho relacionados à imunização, a linha de cuidados materno-infantil e também de hipertensos e diabéticos. A coordenadora destaca que o Saúde em Rede resgata esta organização dos processos de trabalho das linhas de cuidado, o que interfere positivamente no atendimento e acompanhamento da população.
“É perceptível como a equipe está melhor organizada neste atendimento aos usuários, neste cuidado, na busca ativa. Houve uma evolução notória. O ganho do Saúde em rede é tanto para o trabalhador que se planeja melhor quanto para a população com atendimento e acompanhamento mais direcionado. A partir de agosto, já pretendemos expandir as oficinas para as outras unidades para começarmos a atualizar os processos de trabalho”, frisou a coordenadora.
Próximos passos
A integrante da coordenação do Saúde em Rede da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Paula Rosa Lima de Lacerda, acompanhou o encerramento da oficina de formação de tutores da Macrorregião Oeste. Ela explica que em maio acontecerá o monitoramento final, a realização do curso curto de Saúde Bucal e a Mostra de experiências de Promoção da Saúde para os tutores municipais dos 13 municípios que participaram.
Paula acrescenta que no final do ano de 2022 haverá uma Terceira Onda de Expansão do projeto que contemplará os demais municípios da Macrorregião Oeste. “As oficinas do Projeto têm proporcionado maior aproximação das Unidades de Atenção Primária com o CEAE e maior organização dos processos de trabalho, trazendo benefícios na assistência aos usuários”, finalizou.
Autor: Willian Pacheco